31.3.16

Imagina que estás a procura de trabalho como empregado de mesa. Imagina que te ligam de um restaurante ao qual te candidataste. Ligam as 9h da manha e perguntam se estas disponível para lá ir. Dizes que sim e espantaste quando te respondem "Então traga já camisa branca e calcas pretas. Para experimentarmos, para vermos como trabalha." ... Estranhas. Pensas em recusar. Afinal de contas é logo mau sinal quando querem que comeces sem sequer falarem contigo em entrevista sobre ti e sobre o restaurante. Sobre o q procuram e o q oferecem... Mas sabes que não são tempos de recusar oportunidades. Aceitas. Vais.
Trabalhas o dia todo e a única informação q te foi dada é q falam contigo, à noite, no fim do trabalho. Pequena pausa à tarde. E segue a trabalhar. Sem saber a que horas acabas. Sem saber condições nenhumas. Ninguém lancha, ninguém janta! O trabalho só pára pelas 2h da manhã... Finalmente falam contigo e numa postura arrogante e discurso de quem não parou de beber desde meio da tarde, dizem-te que tem vários apontamentos a fazer. Enumeram 2 (tão graves como encher demasiado os copos de vinho), e avisam q podiam dar mais 15. Até q te dizem "Mas pronto, estou disposto a dar-te mais oportunidades. Vens outra vez amanha e depois, e vamos ver como corre." ...
Respiras fundo... Fazes de conta que estás de acordo e cordialmente pedes para te falarem das condições, para futuro, caso te aceitem. E é aí que te respondem de forma chateada "Condições?? Eu estou a dizer q te dou mais uma oportunidade e estás-me a perguntar condições??! É dinheiro q queres, é? Então anda cá que eu pago-te o dia e não vens mais!" Enquanto dizes o que pensas, ainda ouves que com a idade q tens seria de esperar mais responsabilidade da tua parte... E ouves ainda que isto te vai ensinar para o futuro...
Isto aconteceu. Hoje, num restaurante do centro do Porto. E quando sabes disto a revolta é tanta que te tira o sono. E sabes que já é a 2a vez que algo do género acontece em 3 meses, embora não tão escandaloso como agora. E percebes que o amor pelo teu país não é correspondido. Amas o teu país mas ele está-se nas tintas para ti. Completamente. Percebes ou confirmas que viver bem no teu país é um luxo ou uma sorte que nem todos podem ter. Porque pessoas assim há em todo lado, mas um país que permite que situações destas aconteçam, não...

20.10.15

Decisões


Tomar decisões...Algo tão básico e constante na vida, e sempre tão complicado para mim... Tenho mais dificuldades na tomada de decisão, que efectivamente em concretizar o que decidi.
É parvo... Detesto ser assim... Tento melhorar... Mas de facto é um problema que tenho... No entanto, tenho tomado (e concretizado) decisões importantes, que achava nunca ser capaz!
Aquela grande, que ainda hoje me espanta e não sei como consegui, foi emigrar.
Eu. Emigrar.
Os meus amigos mais antigos, os mais próximos, e a família percebem o absurdo que isto era! Ela, emigrar? Pois sim!
Eu era a primeira a saber isto.
E no entanto, uma vez entranhada a ideia, já não havia nada a fazer, a não ser ir, mesmo. Experimentar. Tentar. Por mais que doesse... E, oh, se doeu!
Quando surgiu a oportunidade, tratamos da partida em apenas duas semanas. 2 semanas! Que grandes malucos!
Despedi-me de um emprego sem condições mas que adorava! Um trabalho que adorava fazer, todos os dias. Um emprego com a minha melhor amiga de há anos, aquela que já é família. Um emprego com duas amigas que conheci lá e se tornaram também as minhas pessoas, as minhas meninas desta fase "adulta" da vida, em que já é tão difícil fazer amigas assim.
Despedi-me.
Chorei baba e ranho toda a viagem de regresso a casa. Uma viagem de 40 minutos.
Os dias antes da partida foram... bem... digamos que ainda hoje tenho sonhos maus com isso. A tristeza tão crua, tão intensa. O medo. Fiquei de cama, com febre, que somatizar é cá comigo...
A despedida dos meus é algo que quando recordo, sozinha no meu canto, ainda me faz chorar. Quase três anos depois. Nunca seria capaz de descrever o sentimento.
Mas tinha de ser, já não ia voltar atrás.
Agarrei-me à maior força que tinha, o meu R. que partia comigo e com a mesma dor, e lá fomos nós, à malucos! Sem trabalho certo, nem casa, nem certezas. Essa fase inicial foi tramada! Passamos por cada uma!! Nunca esqueceremos. Descobri forças que não sabia que tinha. Descobri que aqui a totó, afinal é uma totó bem desenrascada! Aos poucos tudo se foi arranjando. Sorte atrás de sorte. O Universo claramente a conspirar a nosso favor!
Um estúdio em tamanho caixa de sapatos, deu lugar a um apartamento pequeno mas jeitoso, e velho e branco e giro e parisiense!
Bons trabalhos, bons colegas, boas condições. Uma equipa de trabalho que é uma borga e torna os meus dias mais fáceis. Colegas que me ajudam na adaptação, inclusive uma colega portuguesa!
O tempo passa.
O aperto da saudade nunca se alivia.
Aperta sempre. Aperta mais. Ás vezes sufoca...
Começamos a conhecer a realidade de viver em Paris, e o encanto torna-se numa relação amor/ódio.
Vamos de férias a Portugal regularmente. Cada ida e volta é uma montanha russa que dá cabo de mim. Cada regresso a França é uma dor maior que o regresso anterior. Em cada partida no aeroporto eu sinto claramente que não quero viver assim, não quero esta vida para mim. Não quero ser emigrante. Passam 2 anos assim. Cada vez me ligo mais ás pessoas com quem trabalho, mas cada vez sofro mais com a falta das minhas pessoas. Com a falta de tudo que seja Casa. Português. Das coisas mais simples e básicas da nossa vidinha em Portugal. Damos valor a coisas que não dávamos tanto. Apercebo-me da falta doentia de natureza, de mar, da língua, de estar presente nos momentos importantes, estar perto dos nossos. Ver a minha sobrinha a crescer. Ir buscá-la à escola. Ir a concertos com a minha irmã. Ter os meus pais pertinho. E a dor cresce. Até já fazer mal.

Então começou um novo ano, e tomaram-se decisões. Em Janeiro decidimos voltar a ser grandes malucos. Idiotas. Sonhadores. Decidimos regressar. A Casa. A nossa Casa. A Portugal. Decidimos regressar às nossas pessoas. Aos aniversários, aos baptizados e festas populares. A estar pertinho dos que amamos, e não perder momentos importantes.
Decidimos assim também regressar a um país em crise. Regressar sem trabalho e sem estabilidade nem certeza nenhuma. Só incertezas. E um medo enorme!
Mas quando a alegria de regressar supera o medo, sabemos que tem de ser uma boa decisão. Na verdade nem importa se é boa ou má. É a nossa decisão de idiotas sonhadores! :)



23.8.14

I spy... Instagram Gallery: Iván Casanova Rivas


  
I have one more wonderful Instagram Gallery for sharing!
From natural landscapes to historical monuments, passing through beautiful architectural details that wink at us...
A trip to Spain and more, with Iván, here:

 

Tenho mais uma Galeria Instagram maravilhosa para partilhar!
Desde paisagens naturais, até monumentos históricos, passando por detalhes arquitectónicos lindos que nos piscam o olho... 
Uma viagem a Espanha e muito mais, com o Iván, aqui:














16.8.14

Meet Relíquias Rebeldes




A Relíquias Rebeldes é um espaço dinâmico no centro do Porto, que se divide em três grandes categorias: venda de peças em segunda mão, venda de artigos de design, e espaço de partilha de conhecimento através de workshops.


- Fala-nos um pouco da Relíquias Rebeldes. 

A Relíquias é um conceito que tem estado sempre em metamorfose... Desde a ideia original até ao que é hoje ainda vai uma diferença significativa. Á medidas que fomos falando com quem entrava, fomos percebendo as necessidades e fomos moldando a loja. Ainda agora estamos a fazer alterações na "estufa" para podermos ter outras actividades que ao início não tinham sido pensadas.

- Quando e como surgiu a ideia de criar a Reliquias Rebeldes? 

A Relíquias surgiu de uma forma bastante engraçada, porque antes de trabalhar aqui, eu trabalhava numa empresa de Arquitectura com a Conceição. Entretanto começamos a falar de hobbies e ela costumava fazer compra e restauro de antiguidades e eu geria uma página de facebook de venda de peças em segunda-mão. Foi basicamente juntar as duas áreas e criar um espaço em que basicamente tudo se vende.

- Que dificuldades surgiram? 

A maior dificuldade foi encontrar um espaço que servisse ao nosso conceito. Porque com mobiliário, não é possível ter um espaço pequeno, mas espaços grandes exigem rendas altas e por isso tivemos de encontrar um meio termo. 

- Que boas surpresas encontraram? 

A maior surpresa tem sido as pessoas. Numa loja entra de tudo um pouco, mas graças a este projecto temos conhecido muita gente interessante e criado amizades que irão certamente além da Relíquias.

- Onde encontram inspiração? 

Por mais estranho que pareça, as ideias costumam surgir em convívio... Alguém manda um "bitaite" e de repente já se está a fazer uma tapeçaria com aquela linha que alguém lançou... Nós temos trabalhado muito por intuição e tentativa erro. 



- A Reliquias Rebeldes tem sucesso porque… 

Eu acredito que o nosso sucesso vem do nível de organização. Temos tudo informatizado e mantemos a nossa página sempre activa e actualizada. Também gostamos de saber o que se passa na cidade e muitas vezes divulgamos eventos que não estão relacionados com a loja para poder partilhar essa informação com os nossos seguidores. Até porque aqui no Porto ás vezes não é fácil estar a par de algumas actividades.

- Como surgiu o nome Reliquias Rebeldes? 

Na altura tínhamos vários nomes na mesa, mas o nome foi escolhido porque gostamos da ideia de que as nossas peças, assim como tudo o que fazemos, são como pequenas relíquias. O "Rebeldes" acaba por quebrar a ideia cândida de relíquia e também porque é muito 80's. (ha ha)

- Qual é a tua peça favorita de momento? 

A minha peça favorita até agora foi um casaco de couro da Chanel com ombros almofadados que era simplesmente genial. A sorte de quem o levou foi não me servir!

- O que mudou ou está a mudar na vossa vida? 

Este tipo de projectos acaba por fazer com que 90% do cérebro se esteja a dedicar ao que fazes. Tenho quem diga que tenho 1000 ideias/hora. Na verdade é que acaba-se por estar sempre a pensar consciente ou inconscientemente no que se pode "inventar" a seguir. O gozo de ter um projecto nosso é que tudo é possível.

- O que dirias a quem tem também um projeto, para avançar? 

Quem está a começar um projecto tem de acreditar mesmo nele. Claro que se tem de ter os pés bem assentes no chão, mas só quem gosta muito do que faz é que consegue aguentar a carga que pode ser ter um projecto próprio.




Top 5 Favoritos

1. Uma marca: Esta é muito difícil porque a nível de vestuário tenho conhecido marcas excepcionais ás quais antes não tinha acesso.  
2. Um livro: As Intermitências da Morte de José Saramago
3. Uma banda: Normalmente não me concentro numa banda, ou sequer num tipo de música. Tenho uma teoria que gosto muito que se rege pelo facto de se ter de experimentar tudo, bom e mau, para se conhecer. Por isso todas as semanas oiço coisas diferentes e gosto de coisas diferentes.
4. Um lugar: Tem de ser só um? Eu tenho um trio: Roma, Caminha e Porto. Três sítios onde me sinto em casa.
5. Uma Blog que recomenda: Também tenho dificuldade em responder porque tenho conhecido tanta gente com projectos excepcionais que achava injusto ter de escolher um. Existe muita mas mesmo muita gente com potencial escondida pelas ruas do Porto e arredores!


reliquias.rebeldes.geral@gmail.com


 Obrigada, Relíquias Rebeldes!



Relíquias Rebeldes is a dynamic space in Porto city center, which is divided into three categories: selling second-hand goods, selling design pieces, and a space for sharing knowledge through workshops.

Tell us a little about Relíquias Rebeldes.

Relíquias Rebeldes is a concept that has always been in metamorphosis ... Since the original idea until today there is a significant difference. As we were talking to the people who entered the project, we were realizing the needs and we were shaping the shop. Even now we are making changes in the "greenhouse" so we can start other activities that had not been thought before.

When and how did the idea of creating Relíquias Rebeldes emerged?

Relíquias came in a very funny way, because before working here, I worked in an architecture firm with Conceição. We started talking about hobbies and she used to purchase and restore antiques and I managed a facebook page of second-hand pieces. It was basically combine both areas and create a space where basically everything can be sold.

What difficulties have you found?

The greatest difficulty was to find a space that would serve our concept. Because with furniture, it is not possible to have a small space, but large spaces means high rents, so we had to find a middle ground.

What surprises have you found?

The biggest surprise has been the people. In a store, all people can come in, but thanks to this project we have known lots of interesting people and created friendships that will go surely beyond Relíquias.

Where do you find inspiration?

Strange as it may seem, the ideas usually arise in socializing ... Someone throws an idea and suddenly we are already making a tapestry with that line that someone threw ... We have worked hard by intuition and trial and error.

Relíquias Rebeldes succeeds because ...

I believe that our success comes from the level of organization. We have everything computerized and we maintain our site active and always updated. We also like to know what is happening in the city and often disclose events that are not related to the store to be able to share this information with our followers. Especially because here in Porto sometimes is not easy to be aware of some activities.



How the name Relíquias Rebeldes came to mind?

At the time we were considering several names, but the name was chosen because we like the idea that our pieces, like everything we do, are as small relics (Relíquias). The "Rebel" (Rebeldes) works for breaking the candid idea of a relic, and also because it is very 80's. (ha ha)

What is your favorite piece?

My favorite piece so far was a Chanel leather jacket, with padded shoulders that was just great
Lucky client - it didn't fit me!

What has changed or is changing in your life?

A project like this ends up making 90% of your brain to focus on what you do. I say I have 1000 ideas / hour. In fact, we end up always thinking consciously or unconsciously of what we can "invent" next. The joy of having a project of our own is that anything is possible.


What would you say to those who also have a project to move forward?

They have to believe in their project. You need to have your feet firmly on the ground, of course, but only those who really love what they do, are capable of handle the load that can be having a project of our own.

Top 5 Favorites: 

1. A brand: this is very difficult because I have come to know exceptional brands, in clothing, that I hadn't before.
2. A book: Death with Interruptions, José Saramago.
3. A band: I usually don't focus in a band, not even in a type of music. I have a theory that you have to try everything, good and bad, to know it. So every week I hear different things and like different things. 
4. A place: Only one? I have a trio: Rome, Caminha and Porto. Three places where I feel at home.
5. A Blog you recommend: Again, it's hard for me to answer because I have known so many people with exceptional projects that is unfair to have to choose one. There are many people with potential, hidden in the streets of Porto and surroundings.



Contact
reliquias.rebeldes.geral@gmail.com



Thank You, Relíquias Rebeldes!